Segurança integral:

16.07.2010.

A Prevenção de Riscos, como uma disciplina importante em Gestão Empresarial, tem estado em constante evolução, quanto às fórmulas que são procuradas, estudadas, analisadas e adoptadas como sendo verdadeiramente eficientes para combater o flagelo dos acidentes.

Este processo ainda não terminou. A busca para encontrar novos ensinamentos, novos métodos e sistemas operativos eficientes, que permitam assegurar a protecção da saúde e da vida dos trabalhadores prossegue com entusiasmo. Esta atitude fica a dever-se, em grande parte, à tomada de consciência de: a) que os acidentes não ocorrem devido a pouca sorte ou ao destino; b) que os acidentes nos processos produtivos podem, e devem, ser eliminados pela raiz. c) que a atitude diante do problema deve basear-se na percepção de que este tem uma origem cultural evidente.



Este processo continua a desenvolver-se, verificando-se uma crescente aceitação entre os teóricos e os investigadores de que a “cultura da prevenção de riscos” é absolutamente necessária para se alcançarem maiores êxitos na gestão da protecção e da segurança do pessoal que colabora na criação de bens e serviços.

É evidente que encontramos muitas dificuldades. No entanto, elas poderão ser minimizadas se conseguirmos que todos os interessados estejam de acordo sobre quais são os limites, os pormenores, as formas que deve adoptar a cultura preventiva na produção. Uma vez alcançada essa cultura, o caminho é tentar convencer esses mesmos interessados da importância da sua aplicação prática.

Sabemos que este não é, por si só, um campo de fácil aplicação. Se assim fosse, não haveria dúvida alguma que mesmo os críticos mais obstinados já teriam actuado. Então, quais são as dificuldades com que deparamos? Neste aspecto, há que explicar o verdadeiro embuste em que caíram as empresas a nível de gestão, que se deve a múltiplas causas, designadamente: a) uma classe dirigente acomodada e sem propostas; b) um nivelamento por baixo da cultura geral das chefias com capacidade de decisão; c) razões políticas e sociais perniciosas e incompreensíveis; d) falta absoluta de vontade dos gerentes no aperfeiçoamento do sistema.

Fazendo uma análise das dificuldades com que deparamos, interrogamo-nos sobre o porquê do comodismo da classe dirigente.

Este não é o momento de considerar razões históricas; mas, na verdade, ele resulta das obrigações internacionais que foram sendo adquiridas paulatinamente pelas diversas empresas que hoje disputam entre si o mercado, tanto nacional como internacional.

Foi demonstrado, na prática, que as medidas de boa Gestão Empresarial, especialmente no controlo de custos e diminuição dos mesmos, não só tornam as empresas mais competitivas, mas também lhes dão um handicap necessário e elementar para o seu desenvolvimento e modernização, ao contar com recursos inovadores que não poderiam existir de outra maneira.
O próprio desenvolvimento da economia obrigou os empresários a despertar da letargia em que se mantiveram durante muitos anos, devido a um sistema económico controlado, no qual as diversas coordenadas eram conhecidas antecipadamente.

Por outro lado, sem uma política de exigência não havia metas a atingir, nem necessidade de procurar vantagens comparativas, dado que o mundo económico era básico e absolutamente previsível nas suas variantes.

Que consequência resultou desta situação? No melhor dos casos uma lealdade férrea dos sectores coadjuvantes a nível das cúpulas das empresas, motivada em grande parte pela percepção que o mundo continuaria estático, sem dinamismo algum, reduzindo-se o interesse dos antigos gerentes e executivos à função de conseguir manter os seus privilégios e cargos, esperando que as mudanças a alto nível não os tocassem, o que por outro lado não era fácil, dada a existência de compadrios no interior das empresas que permitiam a permanência dos executivos de maior “experiência”, ou seja, os que eram indispensáveis à marcha da empresa, entre os quais estavam os integrantes desses compadrios, que se protegiam uns aos outros.
Este estilo de liderança empresarial trouxe também uma consequência secundária – “a flacidez intelectual” desses executivos que, por falta de motivação, ficaram à margem de todo o desenvolvimento da Gestão Empresarial, da Segurança e Higiene ocupacional, da Psicosociologia do Trabalho, do Trabalho em Equipa e, em geral, dos novos contributos para o apoio à produção, tanto no âmbito operativo, como no do desenvolvimento e formação dos elementos humanos, de cuja contribuição depende em grande parte o êxito de um projecto. Atrevo-me a dizer que, em Portugal, só as grandes empresas incorporaram à produção o uso de ferramentas de auxílio incalculável, como são a informática e o sistema Internet.

Esperamos que os nossos governantes criem condições para que as empresas possam dispor destas ferramentas que trarão mais eficácia, mais competitividade e mais desenvolvimento não só a elas, mas ao nosso país.

Madalena de Lima






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